Nintendo Switch: Expectativas e Realidade

O Nintendo Switch, desde o seu anúncio, enfrentou uma expectativa fora do convencional para um aparelho. Isso acontece especialmente numa era em que o hábito de jogar videogame se tornou universal, em contrapartida à imagem antes consolidada de “coisa de criança” para a prática. Tal efeito não acontecia diretamente com a Nintendo desde o anúncio do Wii e seus revolucionários controles de movimento.

A mística por trás do aparelho envolve a questão de o próprio não ser considerado estritamente um console de mesa (como o Xbox e o Play Station, seus concorrentes) ou um portátil (como os da linha DS, da própria Nintendo), mas, em teoria, um híbrido que carrega as características básicas de ambos. O próprio vídeo promocional utilizado no anúncio do aparelho, ainda em 2016, reitera essa ideia e promove ainda mais a socialização local entre os jogadores, facilitada pela filosofia do próprio Switch.

No entanto, apesar de ser inicialmente bem recebido, alguns dos anúncios subsequentes se mostraram um banho de água fria nessa bonança. Em um showcase que aconteceu na madrugada (aqui no Brasil) do dia 13 de janeiro alguns fãs já passaram a questionar a real vantagem do aparelho. A começar pelo preço anunciado de trezentos dólares, mais caro do que um PlayStation 4 na época de seu lançamento e pela questão de que, assim como suas concorrentes, passaria a cobrar pelo serviço de rede no aparelho. Além disso, a line up inicial– lista de games disponíveis logo no primeiro dia de venda do console – também não agradava, a julgar pela quantidade escassa de títulos de peso, sendo que o principal deles, o novo Zelda, também seria lançado para o Wii U, antecessor do Switch.

A questão é que o Switch, quando lançado, independente das críticas, foi um sucesso de vendas a ponto de esgotarem todos os estoques e se tornar um dos melhores lançamentos da história da Nintendo. Além disso, há relatos de que a Nintendo ainda está se adaptando à demanda do aparelho, algo que costuma acontecer apenas durante o período de festas, que envolvem o Dia de Ação de Graças americano e o Natal.

As opiniões pós-lançamento são variadas. José Fontenele, Youtuber conhecido como JoJo Rama e comprador do aparelho logo em seu primeiro dia, disse em entrevista que a hibridização do aparelho é cômoda e permite que o jogador escolha entre títulos elaborados, como Zelda, ou de jogatina mais rápida com foco no multiplayer, como Metal Slug. Além disso, elogiou o sistema operacional do aparelho, por conta de sua “navegação fluida e sem loadings nos menus, mesmo minimizando e abrindo jogos ativos”. Por outro lado, uma série de usuários questiona a integridade física do aparelho, tendo em vista a série de defeitos qualquer console recém-lançado, ainda na primeira tiragem, costuma apresentar, como ilustrado pelo vídeo abaixo:

No Brasil a realidade é outra. O preço alto cobrado pelo chamado ‘mercado cinza’, aquele que não é o revendedor oficial da Nintendo, mas também não faz uso de contrabando ilícito vendendo os produtos, como lojas de bairro, coloca o Switch fora das pretensões imediatas do gamer brasileiro.

Gustavo Vinhal, professor universitário, coloca que ainda pretende adquirir um no futuro, mas alega: “não vou pagar o dobro do preço”. Ainda, a questão do eventual sucesso ou fracasso do aparelho ainda não foi completamente definida ou sequer prevista. Costuma-se acreditar que, devido à toda expectativa em volta do lançamento de qualquer aparelho, a verdadeira corrida pelas vendas só se dá em seu segundo ano de mercado, quando a poeira abaixa e o aparelho consegue se provar por si só diante de seus consumidores.